Desde pequena sou uma apaixonada por fotografias.

Lembro quando tive minha primeira camara kodak, uma bem simples, que levei em uma excursão no “Salão da Criança” em São Paulo.

Fiquei fascinada por poder tirar fotos, mandar revelar e ver depois todos os lugares que eu havia ido.

Achava uma magia tão grande eternizar um momento!

Passei a levar a minha máquina fotográfica onde eu ia. Tirava fotos de carros de paqueras … Fotos engraçadas, fotos inesperadas….

Que diversão mais gostosa!

O tempo foi passando e não mudei. Todos os lugares que eu trabalhei, tenho fotos das pessoas.

Quase todos os jantares que fui com amigos, tenho fotos. Não estão catalogadas, mas estão numa imensa caixa.

Era conhecida entre meus amigos, pela máquina fotográfica. Se havia um encontro, sempre alguém dizia: “Mary, você leva a máquina?” E eu com todo prazer do mundo comprava filme, colocava na minha maquininha da Kodak…

Depois me lembro que mais tarde comprei uma com flash! Nossa, que achado… podia tirar fotos à noite, ou dentro de casa, não era demais?


Pedia para tirarem fotos de mim para guardar momentos… e estava eu a colecionar tantas fotos…. e a olhar para elas como se fizesse parte de um Livro de Histórias.


Como essa que um namorado uma vez tirou, quando passeávamos pelo Centro Técnico de Aeronáutica em S.José dos Campos. Eu tinha 21 anos.



Fotografia para mim representa, eu guardar um pedaço da minha vida comigo.

Muitas vezes me detenho a olhar fotos de meus amigos, e é como se eu estivesse com eles.

Minha sede de vida é tanta, que não quero perder um momento, sem lembrar de tudo que vi ou senti quando vi. Isso restaura a minha alma.

Até hoje algumas amigas das empresas que trabalhei dizem que sentiam falta nas festas dos meus flashes fotográficos.


Não posso dizer que minha família curte esse meu hábito… Aí vão duas fotos que podem comprovar o que digo (risos).




A primeira tirei quando o Roque estava na mesa, conversando comigo, um dia depois do serviço, (essa é recente) e estava comendo suas castanhas que ele gosta.

A segunda (é mais engraçada) foi um Natal, acredito que há 3 anos atrás, que nos preparamos para almoçar e eu inocentemente tentei tirar uma foto. O Roque se escondeu em baixo da toalha (risos) e a Patti virou o rosto.

Lembro do meu chefe, em S.Paulo, na Squibb. Ele dizia para mim que a fotografia nunca representava a pessoa. Um dia ele foi tirar uma fotografia, chegou com ela na mão, e me mostrando disse: “Veja Mary…parece comigo?” Ele estava indignado porque a foto estava muito escura, e na verdade muito feia. Parecia aquelas fotos de jornal “Procurado Vivo ou Morto” (risos).


A vida não seria um grande álbum de fotografias? Foi assim que um dia, procurando por uma foto da minha mãe, deparei com essa foto aí embaixo, quando eu era adolescente, cabelos compridos e tinha meus 16 anos, em frente de uma casa que morávamos, e que gerou aquela poesia que fiz “Saudade de mim”.



Muitas vezes mergulho nas minhas caixas para procurar por mim, uma espécie de identificação com minha alma. Vejo momentos que passei com minha família, Natais, Ano Novo, Aniversários, e tudo parece tão longínquo. Principalmente por eu estar aqui tão longe, o tempo parece ainda mais distante.


Morando aqui, adquiri o hábito de tirar nossas fotografias, revelar rapidamente e escanear para a família e os amigos. Mostro pequenos detalhes do nosso dia a dia, pois sinto que assim a distância não fica tão grande. E a saudade diminui um pouco.









Edição: 14.06.04


® Mary Martins Fioratti
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