Meu pai chamava-se José Martins, nasceu em Santos, SP, no dia 9 de fevereiro de 1917, filho de Athanasio Martins e Belmira Farias Martins.
Casou-se com minha mãe, Sonia, em 1946, e teve três filhos: Maria Lucia
[1947], Maria Inês [1950] e José Cláudio [1954].
Em Marília trabalhou alguns anos numa empresa de Café. Com o fechamento da empresa, passamos a morar em São Caetano do Sul, SP, onde abriu um Posto de Gasolina. Transferiu-se depois para Santos,
onde moramos dois anos, quando ele trabalhou como Autônomo. Em 1956 mudamos para Ubatuba, SP, onde ele foi Gerente da Cia. Telefônica, e também fez alguns trabalhos gerenciando Construções.
Em 1962 mudamos para São José dos Campos, onde durante vinte anos foi Gerente do Cine Palacio. Após aposentar-se, ainda trabalhou para um amigo que tinha uma companhia de asfalto, e também foi Gerente da Doceira do Vale. Morreu no dia 14 de abril de 2003, com 85 anos, em São José dos Campos, onde morava com minha irma Maria Lúcia.



Carta ao meu Pai




Pai, hoje penso em você com muita saudade.

Saudade do tempo em que eu era crianca e que entrávamos
no mar em Ubatuba (lembra?).

Lembro que eu entrava no mar com você de maos dadas,
sem medo algum. Você me passava confiança, e eu apenas ia…

Você me fez amar a água...e a não ter medo dela.

Lá no fundo, aquelas ondas enormes…você me ensinou
a “furá-las” e até hoje me lembro da sensação
passando do outro lado…. A cabeça vindo para fora
querendo ar, era uma sensação de VIDA.

Era isso que eu sentia com você: “Vida”.

Você ria das suas dores… lembro uma vez que cortou o
pé na praia com uma garrafa… você entrou no mar
como se nada tivesse acontecido.

Você sempre se mostrou tão forte para nós! Tão “invencível”.

Até pelo seu próprio gênio, que certamente
herdei uma parte… o seu gênio forte, mas que no próximo minuto, já se arrependia.

Penso hoje no seu senso de humor…sempre fazendo uma
piada. Seu senso de humor apesar de tudo.

Sabe o que me veio na cabeça hoje também, pai? Quando
eu trabalhava na Sociedade Construtora Aeronáutica Neiva,
e saí de lá.

Fiz um Curriculum, e lá foi você, em todas as empresas para
que eu o entregasse. Depois me disse:
“Nunca desista, porque eu fiz um teste uma vez para
um escritório em São Paulo, e eram muitos
candidatos e eu entrei!”.

Lembro das vezes que você me levou para o hospital
nas minhas crises de bronquite.

Lembro das comidas deliciosas que preparava.

Hoje, tão vivamente, lembro do seu assobio no portão
quando chegava, a sua marca registrada.

Quando me levou no Banco para que eu tivesse
meu primeiro talão de cheques.

Hoje pai, eu entendo que o modo de você viver,
foi mais ou menos como furar aquelas ondas na praia.
Você se atirava de cabeça, e queria sair respirando VIDA.

Quero dizer que eu o entendo muito mais hoje...…
e o amo muito mais!


E peço desculpas por tudo que eu poderia ter feito
por você e que não fiz....


Um beijo da sua filha que muito o ama,


“Russa”

(apelido que você deu para mim, pois quando pequena eu
tinha cabelos vermelhos e sardas)








Esta poesia foi feita pela minha irmã no dia
7 de setembro de 2002 para meu pai.




Um reencontro...


Hoje, quando vi teu rosto
chamando-me, ao amanhecer,
e entendi porque a Misteriosa Vida
colocou-nos lado a lado...

Parece não existir poesia
em nosso cotidiano
feito de tantas lutas,
de problemas corriqueiros,
mas quero dizer que te amo muito
mesmo que a dor da incompreensão
às vezes dilacere nossa alma...
Quero dizer que em teus lentos,
silenciosos passos,
em tuas palavras breves,objetivas
em teu mundo fechado
quase sempre tão difícil de entrar,
vou encontrando aos poucos,
minhas lembranças, meu presente,
minhas respostas..
Quero dizer que dia-após-dia
reconheço-me em teus traços,
e enxergo-me através de ti...
Quero dizer que amo a vida que me destes
e este sangue, correndo em minhas veias
e também, todos os pensamentos
que até hoje a mim dedicastes
e a tua presença em minha vida
que é sempre força,
mesmo invertendo-se os papéis.

Se hoje és criança,
aprendo contigo a paciência,
se hoje, dependes de ajuda,
aprendo contigo a proteger
se és hoje mais confuso e triste,
busco em mim alguma razão
para fazer-te alegre...

E mesmo errando tantas vezes
repetimos,juntos, dia-a-dia,
a lição do reencontro...

Envio-te um beijo, meu pai.


Maria Lúcia







Edição: 02.03.04



®
Mary Martins Fioratti
- Direitos Reservados © - 2004