TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS…

Na época dos meus 15 anos nasceu em mim o amor pelo Roberto Carlos.
Logicamente não somente eu como milhões de adolescentes.
Lembro-me bem, morávamos na Rua Antônio Sais em São José, e às 5:00
da tarde (se ainda me lembro…) começava a "Jovem Guarda".
Aquela hora era sagrada para mim.
E quando o Roberto entrava… o coração disparava.. que rostinho lindo, que
expressão…e o jeitinho que ele cantava.
Começou aí meu amor por ele.


Lembro que eu era (que horror!) da época do "Compacto Simples" e
"Compacto Duplo" (gente, como isso soa engraçado), ou o Long Play, que
eu orgulhosamente tocava no meu aparelho de som que, pasmem!!!! Tinha
uma "agulha"…. Gente, a-g-u-l-h-a!!!!
Podem imaginar? Pois é!


Naquele tempo eu e a Joana D'Arc, uma amiga que morava na mesma rua,
(e ainda mora na mesma rua e na mesma casa até hoje) nos deliciávamos
em trocar fotos do Roberto… era foto na capa do caderno, foto na capa do
livro, foto no guarda roupa..que loucura!
Um dia, meu pai chegou em casa e quando abriu a porta do meu quarto eu
estava com a minha "vitrola" ligada, tocando o long-play do Roberto, e
havia pregado na parede todas as fotos dele, e eu sentada em minha cama,
com as pernas trançadas como "índio", com os olhos fechados em transe.
Meu pai me olhou, depois foi para a cozinha e disse para minha mãe:
"Sônia, essa menina não está batendo bem!" (risos).
Lembro-me disso como se fosse hoje…


Essa época foi também a dos correspondentes (gente, nao tinha Internet!).
Então eu coloquei um anúncio na Revista "Capricho", que era mais ou
menos assim: "Loira, 17 anos, quer se corresponder com rapazes de todo Brasil
para troca de postais e amizade".
Na outra semana recebia aquele pacote enorme de cartas e corria para a
casa da Joana. Sentávamos na calçada da casa dela lendo e rindo muito.
Havia até pedidos de casamento!
Então…ficávamos escolhendo (sim, eu repartia meus correspondentes com
ela! ) e resolvíamos para quem escreveríamos.
Tive um correspondente de anos.... Eram cartas lindamente escritas, um
cara tão sensível, tão sincero, de Porto Alegre.
Quando casei, escrevi para ele dizendo que não poderia escrever mais. Que
falta de sensibilidade a minha, não? Ele era um grande amigo e
poderíamos estar nos correspondendo até hoje.


Voltando ao Roberto Carlos.
Minha vida toda o persegui em shows. E ia em todos com minha amiga
Dirce. Comprávamos ingresso não nos importando "quanto"
seria..queríamos sentar na primeira fileira e esperar pela rosinha que ele
jogava (ganhei duas).
Enquanto o show não começava, ficávamos paquerando (nossa que termo
antigo!) com o Maestro do Roberto. Era tão divertido!
Depois do show íamos esperar o Roberto na saída… sabíamos que ele teria que sair ! Assim, ficávamos lá fora não nos importávamos com o tempo, né
amiga Dirce? E que paciência do Pazini nos esperando !


Um dia o Roberto saindo (lindo!) com a Myriam Rios, eu avancei para tirar
foto, o segurança me segurou pelo braço. Eu disse: "Moço, eu só quero tirar
foto". Ele me falou: "Pois é. Ontem uma também queria e arrancou um
chumaço do cabelo dele"! Risos!


Chegamos a ir até no Rio de Janeiro, no Canecão.
Este dia foi engraçado. Fomos os quatro: Roque, eu, Dirce e Pazini, nossos
amigos. Compramos uma mesa.
Quando o Roberto comecou a cantar, avançamos para vê-lo mais de perto e
deixamos os dois na mesa. Aquele show lindo.. e no meio voltamos para ver
como eles estavam. E de gozação os dois estavam lendo jornal (lembra
disso Pazini?). Risos…


Nos fins de semana, depois do cinema, tínhamos uma hora para andar na
rua XV de Novembro, a rua principal de São José dos Campos. Os meninos do
lado direito e nós do lado esquerdo (meu Deus, escrevendo isso vejo como é antigo!).
Namorado? Tinha que voltar para casa às 22 hs.
Um dia eu com meu namorado na porta e a lâmpada da área apagando
e acendendo (gente, eu tinha 21 anos ! )
Meu namorado disse: "A luz da sua área está com algum problema". Eu
disse para ele: "É meu pai que está com problema, é hora de eu entrar!"


Para terminar, um lance muito engraçado do meu pai. Um dia numa festa
eu conheci um americano. Naquele tempo eu era o tipo perfeito do
americano (hoje eu entendo porquê); eu era gordinha e
com um cabelão até a cintura.
Ele me convidou para ir ao cinema. Lá fui eu, levei a Beth comigo (lembra, Beth?).
Já começamos a rir na entrada, ele de calça, camisa, gravata, guarda-chuva
pendurado na calça e tênis!
Entramos no cinema, sentamos, e a Beth me fala: "Pergunta para ele se tem
irmão". E eu: "Do you have a brother?" (possivelmente era a única coisa que
eu sabia falar naquele tempo). Aí ele começou: "Yes, blah blah blah"
(eu sem entender nada).
Na saída, despedi dele na porta, eu ia embora com meu pai (ele era
Gerente do Cinema).
Ele me pergunta: "Do you want to go to São Paulo tomorrow?" E eu:
"Yesssss!"
A Beth me cutuca: "Ele está convidando você para ir à São Paulo!" E eu:
"NO NO!!" Rimos muito disso!
Então meu pai fechou o cinema, entramos no carro e ele perguntou: "Você
está namorando esse Americano?"
E eu: "Acho que sim pai, não sei". E ele perguntou: "O que ele faz?" Eu
disse: "Ele é Observador de Satélite".
Meu pai: "Emprego de Vagabundo!!!". (risos).


Depois sabem como me livrei do Americano? Eu falava e ele não entendia que
eu não queria sair mais.
Aí… o Chico, irmão da Beth, era bom no Inglês. Pedi para ele escrever que
eu não queria mais sair com ele. Lembro que o Chico escreveu um longo
texto e no fim colocou: "My heart belongs to another man" (Meu coração
pertence a outro homem)..
Ele ligou em casa e não tive dúvida: peguei o papel, li tudinho num só
fôlego e com a sensibilidade de elefante de uma adolescente, desliguei o telefone!


(Música da época: Hey Jude! Com os Beatles).







Edição: 28.03.04



®
Mary Martins Fioratti
- Direitos Reservados © - 2004