ABSORÇÃO

Fico a olhar
para a dança sensual
de seus gestos mais simples
seu corpo todo é uma voz
que me diz quem você é...

A resistência de sua consciência
desmancha-se numa tênue
irrealidade

Quando você tenta voltar
às ordens de seu "eu"
por um instante me olha
como quem perdeu
uma parte de si mesmo...

Deslizo a mão por seus cabelos
e integro-me naquele momento
no âmago da sua verdade
E, olhando no fundo de seus olhos
devolvo por inteiro
a sua realidade...

Mary Fioratti



"Esta poesia fiz para o Roque quando um dia estava a observá-lo de longe. Isto aconteceu uns 5 anos depois que casamos e morávamos em São Paulo.
Eu estava sentada na mesa da sala de jantar, e ele no sofá.. Então senti isso e comecei a escrever. E o
fim foi esse... ele me olhou como se eu estivesse tirando uma "parte" de dentro dele..."
















Edição: 04.03.04

® Mary Martins Fioratti - Direitos Reservados © - 2004.