NOSSA POESIA


Foi um momento
Que se perdeu na eternidade dos relógios
O tempo não contado
Quando sentimos nossas almas
Conjugadas
Suadas
Juntas
Como siamesas.
Fitando-se no escuro do quarto

Não sabia mais
Se minhas mãos eram minhas
Ou eram as suas
Elas se fundiam entre lençóis e corpos
Entre travesseiros e bocas
Entre pernas e bracos
Numa luta de amor
Cheia de desejo

Nossas químicas se misturaram
E entre as fórmulas científicas
Do amor eterno
Formaram um halo etéreo
Sobre nossos corpos
Que se derretiam nas carícias
Mais ousadas
Naquele quarto na penumbra
Com as portas fechadas


Era o nosso mundo
com todos os nossos sons
Era a nossa paisagem
com todos os nossos tons
Brilhando no escuro estelar
E o teto como paisagem principal
(Testemunha ocular)


A luz dos nossos olhos que mais pareciam faróis
Nos guiavam mostrando todos os caminhos a seguir
E refletiam naquela janela
Enquanto o vento soprava suave
Fazendo dançar aquela cortina amarela


Foi um momento .... e esgazeou-se a cortina
Os faróis tão brilhantes cegaram a retina
O teto distanciou-se da nossa paisagem
Seus olhos nos meus, sua boca na minha
E tudo tornou-se uma doce magia
Quando a linguagem dos corpos
numa dança sensual
Gravou em nossa alma
A nossa própria poesia


Mary Fioratti

Edição: 26.01.04

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