AQUARELA

Tomei suas mãos
como se elas fossem santas
E pudessem curar
Todas as minhas dores
Olhei em seus olhos
Como se fosse
A paisagem definitiva
de minha vida
Beijei sua boca
como se sua saliva
fosse a única vitamina
essencial
necessária
para minha vida
Amei você a distância
Segui silenciosamente
seus passos
Chorei copiosamente
diante do óbvio
Depois...
Foi uma calma mansa
Uma realidade viva
O coração voltou a bater
Em ritmo normal
De sanidade
E num momento profundo
De dedução
Percebi claramente
Que criei você
Com as tintas
da minha imaginação
Pintei seu rosto
Criei sua alma
E depois como todo artista
quando termina um quadro
Senta exausto
E analisa suas emoções
Com os olhos parados
na tela morta
Vi tantas noites sombrias
Com alguns poucos dias
ensolarados e risonhos
E percebi que dentro de mim
Tudo o que hoje restou
Foi uma aquarela de sonhos...

Mary Fioratti

 

 



® Mary Martins Fioratti - Direitos Reservados © - 2004