Que as mãos se calem


Que as mãos se calem
Não procurando nas teclas
Traduzir a dor
Não façam cobranças
Aluguem suas esperanças
Para outro sofredor

Que as mãos se calem
Não insistindo nas mesmas teclas
Teclas mudas
Defeituosas e gastas
Que não são nada mais
Ou nada menos
Do que a própria existência

Que o coração sempre comande
Apesar de tudo
Mas que as mãos se calem
A procura de palavras
Que batem em paredes
Num eco mudo

Que as mãos se enrijeçam
E nunca mais procurem
No enlevo da dor
Mostrar tanto desespero
Num soneto de amor

Mary Fioratti




Edição: 18.06.04

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