Princesa de Verde

Há anos luz
Nem sei contar o tempo
Talvez em duas mil luas?
Eu tive o galho mais alto
De uma árvore gigantesca
Que ficava na curva
De uma esquina
Nesse tempo
eu tive também uma rosa
Que permaneceu guardada
Naquela roseira
Que nunca foi arrancada
Mas me foi dada por você
Numa noite com luzes multicores
Fui uma princesa de verde
Quando meus sonhos
Nasciam como flores
E quando os desenganos
Nao doíam tanto
Como doem agora
Naquele tempo
Havia uma clareira
Onde nos beijávamos
Até ficarmos sem ar
Trocando juras de amor
Como se não pudéssemos
Nossa ausência suportar
Houve um tempo
Que olhei com tanta angústia
O galho desta árvore
A flor naquela roseira
E a sombra da nossa clareira
Hoje a sua ausência
Tornou-se apenas um sopro
Perdido num tempo longínquo
De adolescência

Mary Fioratti



Edição: 07.06.04
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